Instituto dos Museus e da Conservação

Restauro da Sala D. João VI – Palácio Nacional da Ajuda

O Projeto

Enquadrado no projeto “Uma sala, Um Mecenas” do Palácio Nacional da Ajuda, o restauro da Sala D. João VI teve início a 8 de março de 2010 e decorreu ao longo de dois anos, envolvendo o trabalho de mais de vinte técnicos especializados.

A operação efetuada viria a alterar substancialmente a fisionomia daquele espaço, pelo que foi necessário consultar não só conservadores e técnicos, mas também historiadores de arte, investigadores, arquitetos e engenheiros, os quais foram unânimes na oportunidade histórica da ação desenvolvida.

Todo o processo de desmontagem, restauro e montagem das salas foi registado em DVD para futura memória. A Fundação Galp Energia orgulha-se, assim, de ter contribuído, no âmbito da sua vocação artística e cultural, para a preservação e enriquecimento do património histórico do nosso país, bem como para que seja aprofundado o conhecimento técnico e científico da arte do restauro e da conservação.

O Palácio Nacional da Ajuda tem vindo a proceder à reconstituição histórica das suas salas. É uma tarefa complexa que implica a reposição e, em muitos casos, a manutenção das peças nos seus locais de origem, de modo a possibilitar que sejam revividos os ambientes da época. O reinado de D. Luís e D.ª Maria Pia é a época de referência para as recriações históricas.

Todavia, no que diz respeito à reconstituição histórica na Sala D. João VI, os critérios afastaram-se dos que habitualmente são adotados porque se tratam de dois períodos distintos. Ciente de toda esta problemática, a Direcção do Palácio Nacional da Ajuda decidiu então propor uma intervenção diferente para este espaço, a qual se baseava na compreensão das funções da sala, ao longo do tempo histórico. A remoção do tecido que cobre as paredes, do coreto, das telas e dos espelhos foi essencial para devolver a sala ao seu aspecto original.

A Sala

“Segunda Salla”: assim a denominavam os artistas da Real Obra da Ajuda, encarregues da decoração do Palácio, distinguindo-a, deste modo, da Primeira e da Terceira – ou seja, a Sala de D. João IV e a Sala do Trono – que a flanqueavam, respetivamente, a norte e a sul.

No início de 1818, já a Sala D. João VI tinha as paredes levantadas e, em Maio de 1821, era aprovado o tema da pintura mural a executar – “A feliz chegada de S. Mag. a estes Reinos no dia 4 de Julho do corrente anno de 1821” –, bem como a confirmação do nome do pintor que deveria levar a cabo tal tarefa, à qual, aliás, se propusera – Arcângelo Foschini.

Em 1833, a Obra da Ajuda era suspensa, ficando o Palácio reservado para um ou outro alojamento de recurso e para cerimónias oficiais. Nessas ocasiões, a Sala de D. João VI seria naturalmente utilizada.

Em 1862, D. Luís e D.ª Maria Pia adotaram o Paço da Ajuda para sua residência permanente. Ao instalar-se, a Rainha iniciou toda uma série de remodelações que abrangeram também a Sala de D. João VI.

Na verdade, logo em 1862, as paredes foram forradas com seda carmesim, cor igualmente utilizada para os estofos da

mobília e para os reposteiros, e o chão foi alcatifado. Assim se tapava a pintura de Foschini, que se vinha degradando, devido à humidade.  

Marco negativo para a Sala de D. João VI seria o ano de 1969. O tremor de terra de fevereiro abriu fendas nas coberturas, sobretudo na zona do torreão sul. As chuvas sazonais, que então se fizeram sentir, provocaram infiltrações que provocaram danos na pintura mural, no revestimento das paredes, nos lustres e no parquet. As preocupações com a conservação da sala e do seu acervo eram constantes.

Entre os projetos promovidos pela Fundação Galp Energia, esta iniciativa no Palácio Nacional da Ajuda, um símbolo histórico do panorama nacional, representa, igualmente, um marco histórico: o nascimento para a sociedade e o bem-estar de todos da Fundação Galp Energia.

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